dia branco




Acordei sem a paisagem existente
- lá fora chove!
Chove às seis horas da manhã
choveu toda a noite!
- disse-me uma passarinha
Ainda chove uma chuva nervosa
barulhenta
assanhada... 
Acordei com outras cores lá fora.
Um branco leitoso cobrindo tudo:
montanhas
árvores 
céu
Restando-me apenas as vermelhas telhas
da casa em construção.
Lá fora chove uma chuva assanhada
nervosa
barulhenta
e aqui dentro um silêncio preguiçoso
Reflexo de um dia molhado
de um dia de domingo chuvoso 
Lá fora prata e aqui dentro cinzas.


Paulo Francisco
Primavera [Vai Chuva] by Nana Caymmi on Grooveshark

4 comentários:

maria teresa disse...

Um dia que convida ao aconchego de um leito com lençóis a cheirar a lavanda...
Abracinho meu!

Gisa disse...

Os diversos tons da vida.
Um grande bj

Malu Silva disse...

Todos nós temos dias em branco que são necessa´rios para que possamos preenchê-los a nossa maneira. Abraço

Vera Lúcia disse...


Olá Paulo,

Dias assim costumam trazer melancolia e convidam ao recolhimento. E também inspiram, conforme constata seu lindo poema.

Beijo.