fases






Aqui anda um tanto quanto
Sem sol 
Sem estrelas
Sem lua
- nem calor nem frio -
De quando em quando uma chuva fininha
enfeita as janelas   - principalmente as minhas - 
Até a verde montanha (vista de minha cama) foi coberta
por um véu denso leitoso há dias. 

Eu?

Também ando um tanto quanto
Há queimação sim
Há dor sim
São queimações emocionais
São dores de alma
São saudades de certas ausências
Uma vontade enorme de estar junto
Uma tristeza de não estar abraçado
Uma necessidade de gargalhar bebendo vinho
Tem horas suspiradas profundamente
Tem horas sussurradas lentamente
E tem horas silenciosamente perdidas

Eu ando assim: um tanto quanto
Às vezes louco de pedra
Às vezes um monge Tibetano

Talvez eu funcione de acordo com o dia
e como ele anda qualquer coisa
eu também ando assim:
sem saber qual será a próxima melodia
um barco à deriva a procura de uma ilha
um corpo deitado de olhos vivos

 Mas uma coisa é certa, Maria Teresa Monteiro,
não estou triste – Talvez pensativo

Reflexivo?
- Talvez

Intrínseco?
- Talvez

Introspectivo?
- Certamente.

Mas como o céu voltará a ser azul
a lua surgirá mais clara que nunca
o sol estará mais alaranjado que ontem
e o meu varal de cores mais colorido neste outono indeciso
então, Teresa, tudo isso não passa de fogo de palha
de um homem de lua.




Paulo Francisco






Alô Alô Marciano by Elis Regina on Grooveshark

5 comentários:

Crista disse...

Lindo...lindo...lindo...
Ainda bem que depois da chuva vem o Sol e depois do cinza vem o azul!

Paula Barros disse...

Ficou ótimo o nome de Maria Tereza no texto. Uma resposta ao cuidado, a preocupação e ao carinho dela.

E sempre lindo, mesmo que doído, sofrido, que escreve. Sempre com uma esperança.
beijo

isa disse...

E a lua vai voltar a brilhar,bem risonha, provocadora;e o sol vai fazer cócegas no seu rosto,meu amigo Poeta. E o sorriso voltará.
Beijo.
isa.

maria teresa disse...

Querido Paulo fiquei "sem jeito", logo eu que sou pessoa de resposta pronta. Nunca tive lido a descrição das "fases" de um ser humana descritas de uma forma tão bonita.
São ciclos e logo, logo damos a volta.
A blogosfera tem-me trazido sorrisos, gargalhadas, lágrimas, preocupações,contrariedades,...espero não ter sido demasiado intrusiva por me ter preocupado com a sua saúde. Gosto de si, sinto-o como um amigo de longa data e a virtualidade,para mim tem uma "qualidade", poder falar com uma enorme abertura daquilo que sinto,que penso, de afetos,...sinto ternura por pessoas que nunca vi porque aos poucos parece que as conheço.
Para quem estava meia sem jeito, parece-me que escrevi demasiado.
Obrigada meu querido Amigo e como não podia deixar de ser, aqui fica um abracinho meu prenhe de ternura

OZNA-OZNA disse...

Infinitas gracias querido y admirado poeta por acariciar nuestros sentidos con la suprema belleza en versos que nos obsequias.
Muchos besinos de esta amiga con inmenso cariño.