Certezas





Gosto dessa coisa descompromissada
do despertar ou não
do adormecer ou não
do estar e não se ser visto
do não estar e ser lembrado
ou o contrário de tudo isso
Ser um risco
uma trama
caminhos sinuosos
galhos que contorcem a procura do sol
folhas caídas cobrindo o medo
Dessa coisa abstrata que se funde ao imaginário
um velho barco
uma teia fina tecida por mãos grossas e pesadas
uma trama delicada e perigosa enredando a paisagem
da lâmina riscando a pele
do frio sendo dissipado pelo calor
da janela aberta na esperança de uma brisa
da aterrissagem absurda de um besouro
dos olhos curiosos de quem não entende
da boca maldita que peca por não saber
Gosto dessa coisa descompromissada
incerta
sem começo, meio e fim.

Paulo Francisco

5 comentários:

Ivone disse...

Que lindo, amei ler, também gosto dessa coisa descompromissada, nunca prometo nada, sempre faço o que meu coração manda e minha vontade, acho que já é tempo disso, viver sem muitos compromissos, observando a natureza de preferência!
"...sem começo, meio e fim." Lindo, lindo e lindo!
Abraços meu amigo poeta querido!

Vanuza Pantaleão disse...

O compromisso amarra e trava a leveza da vida. Continue assim, Paulo...beijinhos!

Paula Barros disse...

É bom este descompromisso.

(É bom a saudade de mim - sorrisos)

beijo grandão e cheio de sorrisos.

lis disse...

'estar e não ser visto' foi o que mais combinou comigo ... rs
Gostei muito_ cada dia melhor Paulo,
gracias querido
abraços

sandra mayworm disse...

Não posso fazer comentário; qualquer que fosse eria apenas, insuficiente.
Li e reli,
Bjgrande
Sandra