Insone




Em algum lugar lá fora os cães uivam sem parar. Madrugada nublada e fria em pleno novembro. A chuva cai em véu.  Outros sons surgem formando uma orquestra descompassada e aflita. São a natureza viva e o homem se mesclando num céu sem lua.
Estou sozinho. Estou quase sempre sozinho. Nessa minha solidão provocada não tem espaço para a tristeza. Estou sozinho, mas não estou triste. Sei quando ela chega e sei quando ela vai embora.
Os outros animais surgem contemplando o céu de nuvens carregadas de incertezas. Os homens acordam com suas máquinas velozes e insensíveis. Os cães se acalmam com a claridade do dia. Tudo muda. A noite se foi e o dia chegou denso e gelado numa primavera vestida de inverno. Mas há flores e cores no caminho daqueles que sonham.
Em algum lugar lá fora os cães ladram, a chuva cai e o homem corre ao encontro de seu destino.
Estou sozinho. Estou quase sempre sozinho. Mas sei que há vida lá fora. Como também sei que há vida aqui dentro.
Estou sozinho, mas não estou só.

Paulo Francisco

4 comentários:

Rô... disse...

oi Paulo,

tenho certeza que algumas vezes sonhar é muito melhor,
as cores sempre aparecem em nossos sonhos...

beijinhos

Vanise Macedo disse...

Paulo, você é um escritor tão sensível... Amo de verdade tudo que escreve! Este texto é de uma beleza infinita!!!!!!!!!!!!!!

lis disse...

A poesia tem esse ritmo solitário.E quando chove dimensiona-se os ruídos as cores a solidão.
Estar só e não estar sozinho é a melhor forma de ser feliz.
Te abraço Paulo

Paula Barros disse...

Sempre gostosos os seus textos.
Beijão.