Penitência



Ah, esse amor que não vai embora, que insiste em permanecer comigo.
 Amor que se transforma em chuva miúda, molhando-me lentamente a minh‘alma
e deixando-a encharcada de sentimentos mil.

Ah, esse amor que não vai embora! Que insiste em ficar plantado em meu peito
- amor invasor
- amor posseiro
- amor torturador de minha alma ferida.

Ah, esse amor que me invadiu o peito deixando-me sem jeito
trôpego
bêbado
zonzo
perdido
neste céu de anil.

Que venha alguém, então, e tire de mim esse sentimento ingrato de sete vidas
como as de um gato pardo, largado, vagabundo - nada varonil.
Quem me dera não o tivesse esse amor doído, sofrido, bandido...
e fosse eu forte como um guerreiro oriental vestido de prata e lança
tendo o céu como esperança de um dia poder habitá-lo sem estar perdido.

E quem me dera fosse mau como um bruxo de unhas afiadas e que pudesse, sem nenhuma lágrima, arrancá-lo de dentro de mim.

Mas como não tem jeito - é defeito adquirido - vou seguindo, pelas margens, as correntezas caudalosas da vida - morrendo de medo dos redemoinhos formados no meio desse rio.
Rio de águas-vivas.
Rio translúcido e quente.
Rio que queima o corpo da gente.
Rio de amar.
Rio de morrer... de morrer de amor.
Ah, esse sentimento que não vai embora, que insiste em permanecer comigo.
 sentimento que se transforma em chuva miúda, molhando-me lentamente a minh’alma
e deixando-a encharcada de amor.

Paulo Francisco





4 comentários:

Ivone disse...

Bom dia querido amigo poeta!
Nossa, que lindo, amei ler, pois é, amar assim é tudo de bom, embora doa muitas vezes, isso sim é que é amor!!!
As palavras estão bem colocadas fazendo desse texto uma linda obra de arte!
Abraços apertados!

Paula Barros disse...

Eita, como escreve bonito. Mesmo que seja doído.
Mas tem guerreiro(a) que se armou tanto que não tem amor que entre na fortaleza.
beijão

Rô... disse...

oi Paulo,

e o amor é isso,
se quer tirar arrancar,e ele continua aí firme...
muito lindo,adorei ler...

beijinhos

Nelma Ladeira disse...

Bom dia Paulo.
O amor é tudo de bom! E quando chega! Chega pra ficar!
Mas as vezes nós somos culpados.
Por medo de enfrentar um grande amor!!
Um poema lindo! E prazeroso de ler.
Beijinhos.