Ardente



Não segui para o Oriente
Não cruzei oceanos
Não viajei de trem
avião ou navio.
Não voltei do Ocidente
Não estava doente
Nenhuma moléstia latente
- aparentemente estava vivo.
Meu coração batia no compasso
da normalidade vivida.
Meus olhos fixos vidravam
a paisagem refletida.
Meus braços finos,
minhas mãos manchadas
tremiam
tremiam de frio.
Corpo molhado
Carne fatigada
Veias estufadas
Não, não era inverno, não era outono.
Era apenas delírio em pleno verão.
Era o inferno surgido de repente
- presenteado  pela picada de um mosquito.




Paulo Francisco

Importado do Cores e Nomes

4 comentários:

✿ chica disse...

Putz, esses mosquitos andam atacando e fazes estragos... abraços, tudo de bom,chica

Nelma Ladeira disse...

Eu já fui picada 3 vezes pelo o terrível,
mosquito Aedes aegypti.
A ultima parecia que estava morrendo.
É muito ruim.
Se foi picado,melhoras.
Bom dia Paulo.

MARILENE disse...

Fui lendo tão atentamente e acabei dando risada. Nunca pensei que a picada de um mosquito poderia inspirar belos versos (kkkk). Bjs.

lis disse...

Poesia também faz estrago ardente e deixa a gente delirando...
kkkkkkk mosquito mau!