Ao olhar para trás viu a ponte ruir
Restou-lhe seguir em frente
até encontrar a próxima ponte
por onde passará certamente
Ao olhar para trás viu a ponte ruir
Restou-lhe seguir em frente
até encontrar a próxima ponte
por onde passará certamente
Vestida de lantejoulas,
a noite convida-me a caminhar
em sua companhia
Ela, azulada
Eu, empalidecido
Ela, tem a lua como amiga
Eu, a sombra como vigia
Ela, está sempre acompanhada
Eu, às vezes...sozinho
No cais, embarcações ancoradas
agitadas como dançarinas
querendo zarpar
No ar, vento forte- uivante
querendo assustar
Em consonância, as águas turvas,
barulhentas
querendo molhar
E os homens, com seus pés firmes
fincados no chão, olham pro céu
- ao léu
querendo ficar
E eu, mais distante ainda
como num sono profundo
- desnudo
olho para tudo
menos pro mar.
Ainda penso em ti
sem salves, nem aleluias
- simplesmente penso
sem rancor, nem mágoa
- somente penso
Penso em ti em dias de chuva mansa
em dias de vento miúdo
de manhãs douradas
e noites de lua.
Ainda penso em ti
na esperança de que seu nome
contrário à sua imagem
nunca suma de mim.
Encontro-me impregnado
encharcado
alucinado
pelo cheiro da flor
em que um dia foi tão rara
tão cara pra mim