Cotidiano II


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Tece a armadilha - dança em agonia 
sem moradia, dorme no chão


Cheira cola, gasolina e outros derivados
- vai ter que experimentar!

Fuma, bebe - mais tarde, quem sabe, pico na veia!
Ninguém sabe o que mais.


É carne semimorta - Alma perdida
E muitos dizem:
- Não, não recupera não! 


É chutado
chupado 
cuspido 
ignorado 
Aprendiz de ladrão!


Ah! Faça a sua parte:
Dê pro seu filho melhores escolas
cursos de idioma - uma conta nova
e um cartão


Resguarde-o num aquário
use vidro fumê no carro
e cubra os olhos com as mãos


[ah! quanta ilusão] 

Puta na esquina - Menina na calçada 
Calça arriada - Quem vai?  Velho-babão 


Mulher maltratada 
Palavras ferinas 
Velados cidadãos 


Boca banguela - Prato de sopa
Con-fra-ter-ni-za-ção 


Agasalhos pro frio 
Brinquedos esquecidos
dentro da caixa de papelão

Dias natalinos - Dimmmm-dommmm!
Oração na igreja 
Missa na capela 
Dundum - no peito 


Na esquina? um corpo no chão

Não é o meu... 
Não é o seu ...


É do filho da puta, da putapolítica, da putamiséria
da vidaputa de quem acorda todos os dias
nessa vida, que não é vadia, pra ganhar o pão.


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3 comentários:

  1. Intensos e fortes versos.Linda poesia de uma realidade tão visível, infelizmente! Abraços,tudo de bom,chica

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  2. Bom dia!
    Uau! Fiquei de queixo caído, mas
    também fiquei triste com a imagem dessa
    tal sociedade, humanidade, que nos representa
    e nos leva ao caos, calamidade.
    Saudades...as vezes, vou passar por aqui pra te ler.

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