Intervalo


Ainda estou preso nesse lugar, olhando o céu sem poder voar.
Estou preso, parado, cansado de esperar.
Já andei em caminhos escuros, com pouca ou quase nada de visão.
Já fiquei cego, tinha o ombro materno como guia
– Seguia seus passos aflitos, não tinha outra opção.
Sentia o vento em minha cara e o medo em meu coração.
Ainda estou preso nesse lugar. De quando em vez vejo o mar
- aproximo o mais que posso, mas ainda não consigo pisá-lo
Nessa condição que me encontro, sem poder transitar livremente,
proibido de sentir o chão, restaram os meus olhos
[que um dia estiveram apagados]
e que agora projetam os meus caminhos.
Estou preso nesse lugar... fazendo dele o meu ninho
Confesso: reclamo por reclamar
Melhor aqui preso, parado, sem poder voar
Pois tenho o céu marinho, o sol que ilumina,
o som do vento trazendo cheiro bom,
e o olhar de quem me quer bem.
Sei que daqui a pouco volto a ser livre e sei qual a direção tomar.
Não será com certeza o mesmo caminho que um dia pensei em seguir
Quero olhares carinhosos e palavras que consolam
Pois:
- quero antes de tudo um olhar tranquilo
- coisas que você não pode me dar

4 comentários:

  1. O que dizer? Aplaudir! ADOREI e embora preso, a capacidade de voar nunca morre! abração, tudo de bom,chica

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  2. Boa noite, Paulo!
    Estar cativo pode ser tão bom quanto ser livre...como disse a Aninha: "Maravilhoso"
    Abraços!

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  3. Sandra, não consigo entrar no seu blog. Entro na página do G+ e lá ficou muito confuso pra mim. rs. beijogrande

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