frialdade

O dia ainda não acordou.
Permanece coberto
por um denso véu cinza.
O céu chora miúdo
chora manso
chora triste
Lágrimas que molham
 telhados
 árvores
 carros
 ruas
e capim.
O dia permanece fechado
 -triste
- castigado
por um vento que corta
por um vento que assombra
uivando feito alma penada
em minha porta.
O dia acordou desconfiado
e me deixou trancafiado
de castigo  em meu quarto.
[mas eu não ligo não]

Não há lugar melhor pra fugir deste frio
e  do fantasma  que grita lá fora.

Paulo Francisco

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