Amargosamente




A trama estava ali.
Fora construída a passos curtos, numa lentidão imprecisa.
Não era uma teia arquitetônica, escultural.
Não, não era.
Era uma trama confusa amarrada por nós apertados e doídos.
Nós que jorravam um líquido denso e amargo.
Nós que jamais seriam desatados e sim convividos.
A trama estava ali, grudada à pele, envolvendo o corpo, prendendo a alma.
E na mistura desordenada, criou-se uma camuflagem que escondia os mais perversos dos sentimentos.
Seguiu seu caminho tecendo fios, atando nós, prendendo à pele, tatuando a alma.
Seguiu o seu caminho na sua condição naturalmente humana.
Humanamente perversa
Humanamente egoísta
Humanamente medíocre
E assim seguiu até o fim de tudo.


Paulo Francisco



2 comentários:

MARILENE disse...

Teias terríveis!! Nós que não se consegue desfazer. Bela construção, Paulo! Bjs.

Alfa & Ômega disse...

Fique quieto, meu amigo, estou com uma trama dessas bem no olho. A minha surgiu assim, derramando um líquido denso e triste, grudando no meu olho e seguiu seu caminho tecendo fios e hoje tenho que amargar e conviver. Meu olho dieito já não é mais o mesmo! Sua trama, tão brilhantemente relatada, tomou posse da minha! Beijos!