Temporal II



Raios e trovões iluminavam e sonorizavam o meu medo
Meu corpo molhado pesava e dificultava o meu caminho
As árvores e os arbustos, antes perfeitos, como obras de Deus,
não passavam de esculturas sombrias naquela noite sem vida.
Não sabia se chegaria; não sabia se conseguiria vencer a água que caía.
Fora tudo de repente. Sem sinais. Sem aviso prévio.
Andava, parava, corria, escorregava e caía.
O que antes estava tão próximo as minhas mãos, ao meu corpo,
agora se encontrava distante, longe de meus olhos.
Raios e trovões iluminavam e sonorizavam o meu medo.
A chuva, insistente, lavava a minha pele, limpava a minha alma.
Aprontava-me, certamente, para o outro dia.
Um dia de sol e brisa.



Paulo Francisco

4 comentários:

Ivone disse...

Lindo, tanto o poema quanto a imagem, mesmo que penses que sou meio maluca, mas mesmo assim te confesso, adoro esses raios e tempestades, são lindos de se ver!
Embora seja assustador, pois é mesmo um perigo, dependendo do lugar em que estejamos, aqui nesse poema é mesmo de ficar com o medo, esse do tema, nos pegar!
Abraços amigo sempre querido, Paulo Francisco!

CÉU disse...

As trovoadas, sejam que de espécie forem, nunca pre avisam, infelizmente, digo eu.
Se observa, se sente tudo o que está acontecendo com "você", através de seu escrito. Não é fácil de fazer. É talento.
Excelente prosa poética, que nos aclarou por dentro e por fora.

Boa semana, Paulo Francisco!

Alfa & Ômega disse...

Dissestes bem Paulo, que a chuva, lavando-te de tudo;"A chuva, insistente, lavava a minha pele, limpava a minha alma.
Aprontava-me, certamente, para o outro dia.
Um dia de sol e brisa." lhe faria brilhar no outro dia, um dia de sol e brisa. Nisso há que se reconhecer a grandiosidade do Criadorr que sabe nos presentear com raios e trovões e...bonança! Abração!

MARILENE disse...

Um belo texto, onde o medo é substituído pela esperança. Bjs.