Insistência



Maria, caminho devagar olhando para baixo
à procura de algo que perdi meses atrás
à procura de algo que me diga que vale a pena
como os musgos entre as rachaduras das calçadas
como os pteridófitos que enfeitam os muros molhados
dizendo-nos em verde-vivo que há esperança no ar
Sim Maria... Já sigo – ainda que devagar
E devagar. Maria, divago em caminhos estreitos e lodosos
E devagar, Maria, me amparo em muros enfeitados por samambaias e liquens
Ah Maria! Ainda que em passos lentos, sigo o estreito caminho
- vou sempre em frente! Tenho que caminhar
Se com pedras, pedriscos ou grandes rochas – tenho que caminhar
Desvio-me de umas, desvio-me de outras, passo por cima – tenho que caminhar
Ainda não consegui escapar dos eletrochoques e montanhas de gelos

Mas tu bens sabes, Maria, que não há tortura que nos faça parar.

Paulo Francisco
Unicornio by Mercedes Sosa on Grooveshark

3 comentários:

Paula Barros disse...

Eu bem sei que não há tortura que nos faça parar.
E não pare. E siga. Olhando, observando, sentindo, escrevendo, procurando...e siga.

Me fez rir com esta frase - Ainda não consegui escapar dos eletrochoques e montanhas de gelos.

Sou fã da sua escrita.
beijo

Rô... disse...

oi Paulo,

é a nossa determinação que fortifica nossos passos,
e enche de esperança o nosso coração...

beijinhos

Célia Lima disse...


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