Play


Resultado de imagem para play




Nunca joguei nada
 - nem com os pés e nem com as mãos.
Era uma piada
 - só arrumava contusões
Era uma bagunça a pelada na rua ou no campinho
-Era o último a ser escolhido
–  Ah! Eles tinham razão
Não driblava
Não marcava
Era estaca presa ao chão
Mas sempre estava nos jogos coletivos
Não havia distinção.
Éramos todos amigos.
Quase irmãos.
[ Mas o que eu gostava de verdade era  outro momento.]
Ninguém nunca me alcançava
 – correr era comigo
Gostava de estar sempre na frente
 – transformando vento em ventania
Meus braços viravam asas
 – flutuava sobre o abstrato
– voava sobre os abismos.
Minhas pernas esticavam
- conseguia andar no ar
Nunca joguei absolutamente nada
                                    - mas adorava pensar que sim!




Paulo Francisco

6 comentários:

Ivone disse...

Que lindo recordar, amei ler aqui, colocastes em versos/prosa com maestria!
Abraços amigo sempre bem inspirado!

Alfa & Ômega disse...

Ah, seu moleque trapalhão que voava sem ter asas e do vento a ventania transformava.Taí, a ventania agora varre as palavrase tu as junta e formas linda linguagem. Obrigada pela presença sempre! Abração!

✿ chica disse...

Voavas as tranças, sapeca e danadinho!Lindo te ler! Gostei! abração,chica

brisonmattos disse...

Tem jogo que eu nunca gostei de jogar... De esconde esconde por exemplo.

MARILENE disse...

Quer coisa melhor do que voar???? São infinitos os horizontes e só quem voa os pode alcançar. Bjs.

sandra mayworm disse...

Também nunca joguei absolutamente nada. Tinha e tenho medo da bola, de fazer feio, entre outros medos!
Amigo, tenho sentido saudades de todos e com dificuldade de visitar os blogs que gosto tanto...mas sempre lembro de vocês todos e fico tentando imaginar como são, como vivem...
logo, volto com mais assiduidade pra ler esses "sentimentos" que me parecem tão verdes.
Abraço
Sandra May