Adaptação








Quando cheguei, eu não vi o mar - era noite
havia no céu uma coleção de estrelas
e o barulho das ondinhas numa métrica perfeita 
O cheiro da brisa, aos poucos, desopilava minha alma
e a cobria de pele marinha.
Devagar fui voltando às origens:
Guardei meu corpo emprestado de montanhês 
e tomei de volta o de náutico.
Mas com o passar do tempo, a saudade foi batendo
o humor foi morrendo e o coração foi querendo
a diversidade de cores nas penas dos pássaros
a aragem noturna acariciando o meu corpo 
e as sombras dos morros e das florestas
transformando meus pensamentos

Quando cheguei, eu não vi o mar - era noite 
havia no céu uma coleção de estrelas
e a lua despontando entre as montanhas.



Paulo Francisco

10 comentários:

✿ chica disse...

Te ler é sempre maravilhoso,Paulo! Lindo mais esse poema! abração,chica

Ivone disse...

Que lindo, fico sempre numa dualidade incrível quando penso em como decidir em que lugar irei morar para desfrutar das belezas da natureza, se a beira-mar ou se nos campos, seria bom unir os dois, quem sabe?!
Estou começando e repensar sobre isso, rsrs, meus filhos estão fazendo pressão, aqui na minha linda capital está ficando cada dia muito mais perigoso de se viver!
Amei te ler amigo Paulo!
Abraços bem apertados!

Pitanga Doce disse...

Entre o mar e a montanha. Ondas, estrelas e nós no meio de tudo e nem sempre nos adaptando. Parece que sempre falta alguma coisa.

Beijos pitangueiros, Paulo.

Aparecida Ramos disse...

Oh, amigo, como é delicioso, suave a leitura de tua escrita!! Sempre consegues me tocar, me deixar comovida.Boa tarde e feliz semana pra você, em ritmo de festas juninas!! Grande beijoo e terno abraço!!

MARILENE disse...

Paulo, caminhamos entre o riso e o choro, entre curvas e retas, entre montanhas e rios... Um lado sempre nos leva ao outro. Bjs.

lua singular disse...

Oi Paulo
Que bom que veio na minha parada, vou pensar se voltarei
Linda poesia, onde a lua vaga em cima do mar, parece ouvir o barulho do mar à noite.
Beijos

Alfa & Ômega disse...

Lindo, muito mesmo, seu poema cujo título dá-lhe visão completa! Adaptar-se é conveniente à mudança feita , mas daí a gostar é outra coisa e assim vamos levando. Que sua semana seja carregada de paz e alegrias. Beijos!

lis disse...

Ah como gostaria de estar nas montanhas ver a lua mais perto!
Hoje fui ver o mar , compensa um pouco a vontade do tapete verde.
Belo poema,como sempre sabes!
boa semana e durma cedo... rs

Vivian disse...

...tem gente que é do mar,
tem gente que é da montanha...
e tem o poeta que encanta
por todo canto!

bjs, meu poeta querido!

Vivi

Vera Lúcia disse...


Olá Paulo,

Mar e montanhas são obras divinas maravilhosas. Cada qual tem seu encanto e ambos nos preenchem. Acontece que nos sentimos 'em casa' onde plantamos nossas raízes. Seria como viajar de férias e, depois de uns dias, começar a sentir saudade do nosso canto e da nossa caminha-rs.

Lindíssimo.

Beijo.