Instante

A cada instante um novo tempo.
Noite que parte, luz que chega
-  escuridão invadida
- claridade parida
A cada instante um vulcão detona
lavas que mumificavam
 criando novos destinos.
Ela era o tempo-instante que todos temiam.
Redemoinho repentino
 -  Puro desatino!
A cada instante um novo tempo.
Neste tempo-instante a constância não existia.
As nuvens correm soltas
enfeitando o céu azul - prometendo chuva
dizendo sim ao lavrador
dizendo não aos vagabundos como eu...
 Já no balanço da rede
 ouço
¨Le ciel dans une chambre¨
com uma taça de vinho tinto à direita
e Rimbaud na mão esquerda.


Paulo Francisco

2 comentários:

Paula Barros disse...

O poema me transportou.
Aproveitei e enquanto comento escuto a música, não conhecia, e li a tradução da letra.
abraço

ॐ Shirley ॐ disse...

Essa é uma vida tranquila, as nuvens correndo soltas, uma rede, taça de vinho...Também quero rs.
Belas palavras, Paulo.
Beijo!