Solidão








Toda vez que olho para uma casa vazia
 lembro-me da minha:
nenhum móvel
nenhum objeto valioso
- nem mesmo o mais barato dos bibelôs
os meus livros desapareceram
- restando-me poeira
as minhas roupas também sumiram
- restando-me somente a derme
Da casa restaram-me os cômodos
- os vários cômodos e ecos
Afoguei-me em oxigênio
Cobri-me de vazio
Toda vez que olho para uma casa abandonada
- não importa se cabana ou palácio
- lembro-me da minha anos atrás.
Quando nu e sozinho conheci um outro gozo na vida.

Paulo Francisco

2 comentários:

Paula Barros disse...

Ao ler, me veio a ideia de renovação. De ressurgir. Me lembrei da história da fênix.
beijo

Rô... disse...

oi Paulo,

as vezes é necessário nos despirmos de nós mesmos,
e começar mais uma vez...
perfeito!!!

beijinhos