mesa de bar





Drummond entre os meus olhos
preso pelas minhas mãos cansadas
ao som das batidas certeiras
de meu coração escarlate
doa-me seus versos
numa tarde quente de verão.
E ao término da canção amiga
desperto-me
pra mais uma cerveja que me aguarda
estupidamente gelada no frio balcão
E eu virei a página – e eu abandonei Luísa
Segui sem noticias reais de Espanha
segui num silêncio disfarçado
numa concentração negra fosca
num ¨negro jardim onde violas soam¨
E um pouco mais tarde avisto Fátima a sorrir
a sorrir pra mim.
E na mesma direção seguimos
cada qual com o seu destino a cumprir.
E no absolutismo da canção, também me calo, repleto.


Paulo Francisco

Um comentário:

Aleatoriamente disse...

Uau! Amei!
Teu poema Paulo é tão inteiro, tocante, rico.

Beijinho