por ti





Quando escrevo penso em você. Por isso me repito.  Por isso ando escrevendo sobre cores e flores. Gosto quando você vem de mansinho em meu quintal e rouba uma cor.
Eu gosto desse seu jeito de me vigiar, desse seu jeito de quem não quer nada e de me ignorar como se eu não existisse. Sei que não, pois deixa teu cheiro pelo caminho, teu cheiro de flor. Cheiro que veste a minha alma com cheiro de jardim.
Ah, minha amada oculta que tem cheiro de flor, que tem gosto de sonho doce, que me deixa vermelho só em pensar em tê-la! Ah, como seria bom sabê-la, como seria bom vê-la além de meus versos de amor.
Quando escrevo imagino-te ao vento como uma folha rubra numa viagem entre nuvens, imagino-te nua em banhos de lua azul. Imagino nós em cores acetinadas escolhidas por ti. Sim, serei coberto por cores tuas.
Quando escrevo perco-me em sonhos. Eles se tornam infinitos como o céu da tua boca.
Quando escrevo penso em você. Por isso me banho com ervas de cheiro e tinjo meu corpo com as cores fortes de uma tribo guerreira.
Sou um guerreiro amoroso? Talvez seja. Talvez seja um louco amoroso, um louco por ti.
E se tu fosses uma flor, qual seria?
E se tu fosses uma cor, qual seria?
Quando escrevo penso em você. Por isso me repito em cores e flores.
Vago em recônditos caminhos sem medo de nunca encontrá-la.



Paulo Francisco




Flores Astrais by Secos & Molhados on Grooveshark

4 comentários:

isa disse...

Não sei do que gosto mais: se dos seus Poemas, se da sua prosa poética.
Não sei ñ!
De tudo.
Beijo.
isa.

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Este amor multicor, é lido demais, é encantador, é puro esplendor!

Beijos, poeta,
da Lúcia

Paula Barros disse...

Lindo, saboroso, colorido e apaixonante.
beijo

Pitanga Doce disse...

Eh Paulo! Que maneira tão apaixonada de começar a semana!

Abraços de outono.