raiar





E a manhã nasceu branca com pequenas frestas por onde posso avistar o fundo azul do céu. Brotam do chão úmido, concretos coloridos que inundam meus olhos secos de paixão.

Ó manhã de sol nascido brando, que clareia e aquece minha pele morena e minha alma também morena, que ilumina os cabelos vermelhos de minha vizinha franzina e que chega macio em meu pequeno cubículo de escrever e inspira-me em desejos solares.


Ó luz, que pra muitos é divina, rasgue este branco denso e traga para mim o melhor azul. Seque as paredes serenadas das casas do vale e transforme os seus líquidos em vapor de esperança e alimentos para os nossos corpos que rangem suas almas secas e quebradiças.


E os pequenos metalizados, tão modernos, avistado daqui de cima, começam, numa fila indiana, seguir o percurso da monotonia – eu observo as suas cores refletidas pelo sol.  Ó sol, que pra muitos é de Deus, ilumine as estradas desses monótonos homens e mulheres que seguem os mesmos percursos melancólicos e finitos de todos os dias.


Ó sol, que pra muitos és somente uma estrela de magnitude cinco, derrame sua luz sobre as cabeças desses homens obscuros e frios. Alumia o caminho da moça perdida que anda a sofrer por nunca ter tido um amor tão grandioso quanto o seu desejo.  Ilumine Rei, os passos daquele que não sabe pra onde ir, e também daqueles que possuem seus membros trôpegos pela incerteza da vida.


Ó sol, que para mim é poesia, luz e vida,


Iluminai-o vós,


Iluminemo-lo nós,


Ilumine e dê a cada um a luz merecida.


E a manhã tornou-se azul e o sol dourou-me a pele.


Benditas sejam minhas manhãs de outono.


Bendita seja essa claridade divina.



Paulo Francisco





Luz do Sol by Caetano Veloso on Grooveshark

3 comentários:

maria teresa disse...

Uma oração...
Abracinho meu!

Paula Barros disse...

Ó sol, nos ilumina, a todos.
Lindo.
beijo

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Em tempo algum, vi uma Ode ao Sol, tão perfeita!
Sem ele, a vida não se faz, viva o Astro Rei!

Beijos solares, da terra ensolarada.